sexta-feira, 2 de março de 2007

Artigo para os mais novos (uma recordação)

Artigo Publicado no Jornal da Escola Quinta das Palmeiras – Covilhã, Ano XIV - Março 2006 – n.º 30

Antecipação - Qualidade de um bom jogador


Com este artigo quero apenas falar-te de uma capacidade essencial para se ser um bom jogador, estou a falar da capacidade de antecipação. A capacidade de antecipação não é o dom que se tem para adivinhar as jogadas dos adversários, mas sim a capacidade de analisar o movimento deles e perceber quais as suas intenções.
Dou-te o exemplo de um guarda-redes que vai defender um penalty. Um guarda-redes que tenha capacidade de antecipação é capaz de, mesmo antes da bola se movimentar, perceber qual a direcção que ela vai tomar. Sabes porquê? Porque este guarda-redes sabe analisar o movimento do marcador do penalty, vê a posição e o movimento do seu corpo, vê a direcção do membro inferior que vai rematar a bola e, imagina o ponto da bola em que o pé do jogador vai aplicar uma força, e assim percebe a trajectória que ela vai adquirir.
Por exemplo:
Na imagem A, o pé do jogador vem na direcção do centro da bola, o que é indicador que a bola irá ter uma trajectória junto ao solo. Isto não considerando as rotações que ela poderá adquirir, também conhecido por “spin”. Na imagem B, o pé do jogador vai tocar na parte inferior da bola o que será indicador que ela vai subir.


Para teres uma ideia do que é uma boa antecipação, podes ter como exemplo o penalty que o Ricardo defendeu sem luvas no Euro 2004. O que aconteceu foi que o Ricardo cerca de 0,28s antes da bola sair da marca de penalty já tinha iniciado o seu movimento da defesa. Se não o fizesse, não conseguiria defender a bola, porque esta demorou cerca de 0,48s a chegar à baliza e o Ricardo demorou cerca de 0,64s a chegar ao local de intercepção da bola. Então, se o Ricardo só se lançasse para a defesa quando a bola saiu da marca da grande penalidade, chegaria atrasado à volta de 0,16s e tu não tinhas tido o prazer de celebrar aquela grande defesa!




Mas a antecipação tem limites, outros guarda-redes também se lançam para a defesa antes da bola partir, só que o fazem fora de tempo. Se o guarda-redes o fizer cedo demais, pode não ter indicadores da intencionalidade do seu adversário. Por exemplo, no penalty, quando o jogador está a correr para a bola, o guarda-redes não consegue retirar, do movimento de corrida do jogador, indicadores que lhe permitam prever o local para onde a bola vai ser rematada, mas se esperar que ele inicie o movimento de remate, já poderá conseguir. O facto de tomar a decisão de defesa cedo demais, dá a possibilidade ao adversário de reajustar o seu movimento, pois percebe para onde é que o guarda-redes se vai atirar, e remata a bola para o lado contrário.

Espero que com esta nova perspectiva, te divirtas a tentar prever o que os teus adversários vão fazer, quando estás a praticar desporto. Bom treino!

João Sá Pinho – Núcleo de Estágio de Ciências do Desporto Educação Física e Desporto Escolar

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Violência no desporto! Não obrigado!

"Zinedine Zidane voltou hoje aos relvados em Chiang Mai, na Tailândia, num encontro de beneficiência pelos jovens portadores do vírus da Sida.

O francês actuou frente a mais de 10 mil pessoas e marcou um golo aos 36' com um chapéu perfeito ao guarda-redes, num encontro que acabou empatado a 2 golos.

Instigado a comentar a sua acção de solidariedade, o médio afirmou que o "desporto hoje em dia, tal como a vida, tem que ser mais do que um jogo".

Foi pena não ter tido a noção da sua responsabilidade social naquele memorável jogo, em que fez uma investida violenta sobre o seu colega de profissão italiano.

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Todos nós sabemos que jogadores como Zidane têm inúmeros fãs jovens, que ainda não têm um desenvolvimento cognitivo que permita ter um sentido crítico sobre este tipo de acontecimentos (percebe-se onde queremos chegar!!!).
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Na maioria das vezes a responsabilidade pela violência no desporto dá-se por culpa dos seus intervenientes, que não têm uma formação/responsabilidade para serem uma referência social.

Nota: "Errar é humano" - Zidane foi só um exemplo, erros como o deste desportista que já tanto fez pelo futebol mundial e que tanto está a fazer para aumentar a qualidade de vida dos mais carenciados, existem inúmeros!

Nós profissionais do Desporto temos que trabalhar para que este tipo de comportamentos entre em extinção!
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Para bem do espectáculo desportivo!

João Sá Pinho

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Treino das Tecnologias/Técnicas nos Desportos Colectivos

Continuando o nosso discurso tendo sempre como base o conceito de rendimento, o tema que propomos neste “post”, é o treino de acções tecnológicas/técnicas numa dinâmica de grupo. No treino de desportos colectivos, é fundamental considerar que cada jogador faz parte de um todo - a equipa, que mantém uma relação dinâmica com os seus adversários. Uma equipa de futebol até poderá ter 11 jogadores bastante evoluídos no domínio das tecnologias/técnica, com uma grande precisão nos passes e nos remates. Mas se esses jogadores não souberem interagir com os seus colegas de equipa e adversários, de pouco ou nada valem as suas aprimoradas capacidades.
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Se de um modo geral, considerarmos como válido o que foi anteriormente citado, rapidamente compreendemos que o treino dessas tecnologias/técnicas de pouco ou nada servem quando treinadas de forma isolada. Por exemplo, de que vale um jogador conseguir colocar a bola exactamente nos pés de um colega de equipa, se não é capaz de integrar esta acção com a possível intercepção da bola por parte dos adversários. De que vale um jogador conseguir fazer passes com alto nível de precisão se não consegue ponderar o rendimento que a equipa poderá ter ao fazer um passe para o colega “X” ou para o colega “Y”… Por este motivo, defendemos que o treino das técnicas/tecnologias deve ser integrado num contexto que se aproxime o mais possível da situação de jogo, porque elas são um meio para facilitar a relação/diálogo entre colegas de equipa e adversários. Se no treino não consideramos a sua função e o seu contributo para a optimização do jogo colectivo, não poderemos estar a solicitar os comportamentos que deveriam estar a ser solicitados!
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Gostaria de clarificar, que por vezes não deixa de ser importante treinar situações de menor complexidade, mas é necessário ter sempre presente que para haver treino, é fundamental que o desportista esteja nos seus limites funcionais, sem isto acontecer, o desportista não sofre uma estimulação suficiente para que se tenha de adaptar/readaptar às solicitações impostas pelo exercício. Estas adaptações/readaptações, promovem que o desportista passe para um “nível superior”, ou seja, uma melhoria das suas capacidades, que é a função do treino.

Deixemos de treinar gestos, passemos a treinar acções intencionais!!!

João Sá Pinho

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Aquecimento rumo ao Rendimento

Desde tenra idade que frequentamos instalações desportivas e assistimos à orientação de diversas actividades por parte de profissionais da área. Raramente encontramos um profissional que não inicie o seu treino com uma corrida contínua. Depois de nos tornarmos consumidores críticos e aprofundarmos os nossos conhecimentos sobre a actividade desportiva, questionamo-nos das vantagens de tal forma de iniciar a unidade de treino, inicio este mais conhecido como uma componente do “aquecimento”.

Fiz uma pequena pesquisa sobre a temática e encontrei as seguintes citações:

“Aquecimento é o aumento da temperatura de um corpo provocado pela transferência de energia térmica de outro corpo” (in wikipedia)

Nos tempos actuais, uma sessão de ensino/treino do Futebol segue este modelo: 1ª parte: aquecimento com ou sem bola (habitualmente sem bola)…” http://www.efdeportes.com/efd45/ensino.htm (Garganta J., FCDEF-UP, 2002)

“En tiempo muy frío puede ser una locura permitir una actvidad muscular explosive sin hacer previamente jogging y ejerciciosde estiramento com suavidad.” (Cook, M., and Whitehead)

Se o objectivo é o aumento da temperatura corporal e se o movimento do corpo promove a produção de calor, porque é que este deve ser feito com corrida contínua? Afinal qualquer tipo de movimento promove o aumento da temperatura corporal! Na nossa opinião, o importante será fazer uma relação entre de intensidades de esforço e risco de lesão. È claro que não devemos iniciar um treino com exercícios que solicitem a realização de grandes intensidades de força (ex. remates de longa distância a uma baliza). Mas será que se iniciarmos a unidade de treino com passes de curta distância e deslocamentos de velocidade moderada, estamos perante um comportamento de risco? Será que o desportista corre o risco de se lesionar numa situação destas??

Se considerar que sim, perca algum tempo a observar como é que as crianças iniciam as suas brincadeiras no recreio da escola, as intensidades dos esforços que realizam e relacione este factor com o número de lesões de carácter musculo-esquléticas que estas mesmas crianças contraem. Com isto não pretendo comparar a qualidade das actividades recreativas das crianças com a prática desportiva orientada.

Será que o corpo humano se lesiona tão facilmente como dizem?

A questão do rendimento no treino!

Sabemos que o rendimento é uma relação entre o capital investido e o lucro. Considerando o capital investido tempo de treino (numa visão simplista) e lucro as variáveis treinadas. Será que não obtínhamos mais rendimento aproveitando os minutos iniciais (aquecimento) para treinar p. ex. o domínio das técnicas/tecnologias, a uma velocidade menos elevada (controlando as intensidades).

Exemplo 1 (corrida continua)
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Tempo: 10min – Variáveis treinadas: deslocamento + capacidades fisiológicas + ...
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Exemplo 2 (exercício de passe e recepção de bola com deslocamento)

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Tempo de treino: 10 min – Variáveis treinadas: deslocamento + capacidades fisiológica + técnicas + …
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Em qual é que podemos obter mais rendimento?

Não quero com isto dizer, que a minha metodologia de trabalho é melhor que a dos meus colegas profissionais que optam por iniciar a unidade de treino com corrida continua, é sim uma forma diferente de abordar o assunto!

Como diz o pedagogo Paulo Freire “Não há saber mais ou menos, há saberes diferentes"

E ainda bem que pensamos de forma diferente!
João Sá Pinho

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

momento de humor: Nova Pedagogia

http://video.google.com/videoplay?docid=2327396972236303636&q=easy+fun+sports+club

Como rentabilizar as potencialidades das crianças, promovendo um estilo de vida saudável!

sábado, 20 de janeiro de 2007

Parece que a educação depende do totoloto!!!


"Menos receitas para o desporto escolar




Madalena Esteves
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As receitas do desporto escolar, provenientes do Orçamento de Estado (OE) e do Totoloto, registaram uma diminuição nos últimos anos, revela o estudo Desporto Escolar -Um Retrato, apresentado ontem. A diminuição das apostas no Totoloto - que contribui com 98% das receitas -, e a descida das verbas do OE, que em 2002 ascenderam a 484 377 euros e em 2005 apenas a 42 500 euros, justificam esse decréscimo."
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Foi com grande espanto que li esta notícia no DN versão on-line! Incompreensivelmente, o investimento no desporto escolar depende das apostas no totoloto. É uma boa ajuda claro!!! Mas não seria conveniente que quando apostas não tiverem um proveito significativo, haja uma compensação através das receitas provenientes do orçamento de estado!

MELHOR AINDA: Uma solução para a resolução deste problema talvez seja incentivar os alunos a apostarem no totoloto, assim poderá ser que as condições para a prática desportiva sejam melhoradas nas escolas portuguesas!!!!.... Mas melhorar para quê? Já são tão boas!