quarta-feira, 3 de agosto de 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Criatividade dos Jovens Jogadores
Cada vez mais se constata que o futebol carece de jogadores brilhantes que em momentos de magia levantam os estádios… aqueles que pela sua fantasia, são na generalidade considerados os melhores do mundo, casos de Messi e Cristiano Ronaldo. Mas afinal o que se está a passar? A falta do Futebol de Rua é uma evidência. Outrora as crianças passavam horas dedicadas à modalidade Futebol, nas ruas perto das suas residências. Neste momento, fruto da evolução social, factores como a segurança e ocupação das crianças com actividades escolares e complementares, não permitem que os mais novos, possam passar tanto tempo nestas actividades de lazer, realizadas em liberdade total. Mesmo na escola, que seria o espaço ideal para a prática do futebol de rua, em intervalos e “folgas”, tais actividades não são possíveis. Actualmente, quando um professor falta, os alunos terão que frequentar as aulas de substituição. A responsabilidade de desenvolver as competências que outrora eram desenvolvidas na rua, passaram para os clubes. A rua proporcionava um ambiente altamente favorável ao desenvolvimento de um aspecto que caracteriza os melhores futebolistas, a criatividade. Esta criatividade, prende-se com elevadas capacidades de adaptação às diferentes situações do jogo. Segundo Araujo (2005), os desportistas previsíveis (que sabem antecipadamente o que fazer) não são os que constituem mais perigo nem os que mais problemas causam aos adversários, mas aqueles que criam soluções no momento, os criativos. Estes jogadores, em situações que à partida são consideradas desvantajosas pela maioria das pessoas, conseguem brilhantemente tirar partido delas (ex. um cruzamento em que a bola não segue uma trajectória, em direcção à cabeça do avançado, ele aproveita a situação para realizar um pontapé de bicicleta). A maioria dos jogadores, não procura uma situação deste tipo! Porquê? Porque geralmente, esta adaptabilidade criativa não é estimulada em situações de treino. O que na maioria das vezes acontece, é que o treinador condiciona excessivamente as acções dos jogadores, tão acentuadamente que lhe diz como deve realizar a acção de finalização, pegando no exemplo acima mencionado. Neste sentido, considero que a mecanização de acções no futebol de formação é altamente inibidor do desenvolvimento da criatividade do jovem jogador. Em idades iniciais, é fundamental que o treinador crie problemas, através de situações impostas pelo exercício, e não dê a solução. O jovem jogador deverá inventar as suas próprias soluções, inventar as suas fintas, inventar as suas formas de cruzar, inventar as suas formas de rematar... Penso que é consensual que não houve nenhum treinador que inventou a “virgula” (finta) ou a “trivela” (remate ou cruzamento). Foram sim jogadores, que pela sua criatividade, encontraram/inventaram essas soluções, que dão emoção ao espectador, não só pela beleza estética destas acções mas, porque em simultâneo são altamente eficientes. Neste sentido, devemos dar liberdade aos jovens jogadores, para encontrar a sua forma, altamente personalizada de encarar o jogo. Como se costuma dizer “não dar o peixe, mas ensinar a pescar”. Assim, porque a criança experimentou, percebeu, adaptou-se, teve situações de sucesso e insucesso em determinadas condições, vai saber em que momentos e onde executar as acções por si descobertas, ou seja, vai construir um “saber de experiências feito”.
Recentemente, assisti a um torneio de futebol de formação sub 13, onde à final foram duas equipas representantes dos clubes de maior dimensão a nível nacional. Fiquei surpreendido com a segurança como aquelas equipas encaram o jogo. Muito poucos passes falhados, uma circulação de bola fantástica, variação do centro de jogo, capacidade de tirar a bola de zonas de pressão. A nível defensivo vi duas equipas com alta maturidade na defesa zonal. Foi um futebol tão equilibrado que o resultado final foi 0-0, ausência de golos. Mas o que à primeira vista revela uma maturidade táctica, numa análise mais profunda, pode revelar uma castração da criatividade dos jovens jogadores. O que é certo é que raramente se verificaram duelos 1X1, as chamadas fintas ou dribles. Viu-se um jogo tão mecânico, tão estereotipado, tão seguro, enfim, pequenos robots com comportamentos demasiado previsíveis.
Muito sinceramente, espero que não seja esta uma tendência de treino, que leve a que daqui a alguns anos, o número de estrangeiros a jogar no campeonato português seja ainda maior. Espero que os melhores jogadores do mundo não deixem de ser os portugueses, porque nós lhes retiramos a liberdade de experimentar, a liberdade de errar, a liberdade de ter prazer a jogar futebol, a liberdade de fazer no treino o que para eles é o sonho do jogo.
Artigo Publicado no Jornal Tribuna Desportiva de 5-07-2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Perder peso... Mitos e Conselhos
De uma forma muito simples, a quantidade de gordura corporal está dependente da carga calórica dos elementos que ingerimos e do gasto energético que proporcionamos ao nosso organismo. Para conseguir a diminuição do “armazém de gordura”, deverá haver um balanço energético negativo, ou seja, deve existir um maior consumo que reposição adiposa. Mas atenção, quando a diferença é acentuada entre a ingestão muito menor que os gastos, irá ter como consequência a perda de massa magra, o que não é desejável.
1-Neste sentido, o facto de realizarmos exercício intenso, mesmo que com uma regularidade diária, não nos dá motivos para ter uma alimentação desequilibrada, pois os efeitos serão contraditórios, quando o nosso objectivo é a perda de massa gorda. Ou seja, sem controlo nutricional, o exercício não tem o efeito desejado, assim como o inverso se verifica.
2 – Desmistificando desde já a situação dos complementos alimentares, uma pessoa com um metabolismo “normal” não necessita de recorrer a qualquer tipo de fármacos, para reduzir a sua massa adiposa. Apenas terá que adaptar a sua nutrição, ao gasto calórico que proporciona ao seu organismo.
3- Perda de peso, em nada está relacionado com perda de massa gorda, quem erradamente recorre a este indicador, perde de tal forma o controlo fisiológico do organismo, que na maior parte das vezes, em vez de estar a perder massa gorda, perde líquidos e massa magra.
4 – Quanto mais tempo sem comer, mais gordura perdemos… não é verdade! Como mecanismo de protecção, o organismo quando está muito tempo sem receber alimentos, diminuiu o metabolismo, o que provoca que o gasto calórico também seja diminuído, assim o efeito torna-se inverso ao pretendido.
5- Certamente todos nós já vimos em dias acalorados de verão, algumas pessoas a realizar actividade desportiva, com um conjunto de vestuário semelhante ao utilizado num dia de inverno. Casacos, plásticos, películas, borrachas, cintas térmicas… em volta da zona abdominal, no sentido de localizar a sua perca de massa adiposa. Será este um método vantajoso de atingir tal objectivo? Certamente que não. A utilização destes estranhos equipamentos provocarão um aumento da temperatura corporal, em que o corpo, fisiologicamente bem preparado, responde apenas com perda de água e electrólitos sob a forma de suor. Este efeito, nada está relacionado com a perda de gordura. Esta alteração fisiológica tem como objectivo diminuir a elevada temperatura, agindo como mecanismo de defesa da integridade do mesmo organismo. Este comportamento, apenas trará prejuízos para o organismo.
6- Utilização de dietas e programas de treino de amigos? Será uma boa forma de poupar dinheiro em nutricionistas e personal trainers! Cada pessoa é um ser único, o que é bom para uma pessoa, pode não surtir efeito noutra, ou mesmo ter efeitos indesejados. Portanto a nutrição e o exercício devem ser prescritos de forma individualizada.
Conselhos:
1- O organismo só recorre ao consumo de gordura, como fonte de energia em exercícios considerados aeróbios, de longa duração e baixa/moderada intensidade, nunca inferior a 35 minutos.
2- Não se esqueça da motivação, pratique uma actividade que lhe dê prazer. Se tem tendência a saturar-se, escolha duas e alterne-as (p. ex. corrida e natação).
3- Exercícios de força podem ajudar, quando refiro isto, não quero dizer que a gordura se transforma em músculo, como muita gente pensa. Na verdade, o aumento de massa muscular poderá aumentar o consumo de massa gorda quando realizamos exercícios fisiologicamente adequados à perda de massa adiposa.
4- Os alongamentos e o treino de flexibilidade poderão ser fundamentais. O exercício é uma actividade de risco, todas as actividades que poderão proporcionar uma diminuição do risco de lesão, poderão ser determinantes num programa de emagrecimento.
5- Caso não domine o processo de emagrecimento, procure ajuda. Este, realizado de forma desajustada, funciona como a automedicação, poderá ter efeitos não desejados. Profissionais da área das Ciências do Desporto, Educação Física e Nutricionistas, trabalhando em conjunto, terão instrumentos para avaliar, prescrever e controlar o exercício e a dieta, para que o rendimento da perda de gordura atinja o seu máximo potencial.
Compreender as entrelinhas do discurso de alguém, é o caminho para a compreender!
Artigo Publicado no Jornal Tribuna Desportiva 28.05.2011 (Edição Online)
sábado, 11 de junho de 2011
Do futebol de FORMAÇÃO para o futebol PROFISSIONAL!
Toda a evolução deve ser progressiva e gradual. Por esse motivo, o futebol de formação está organizado em escalões, onde existem regras de progressão, com base nas faixas etárias dos diferentes praticantes. Esta distribuição é uma forma de nivelar as competições, assegurando uma prática desportiva justa e equilibrada e, em simultâneo, é um aspecto que permite assegurar a integridade do jovem praticante.
Sabendo que a cada escalão competitivo, ao nível da formação, permite que geralmente a diferença máxima de idades na mesma competição seja de cerca de um ano, leva-me a questionar se a passagem de juniores para o escalão sénior é uma transição gradual.
Vejamos, segundo o site da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, a média de idade dos jogadores da Liga Zon ronda os 25 anos e da Liga Orangina os 26 anos. Mesmo sabendo que o jogador finaliza a sua etapa de formação aos 19 anos, tendo atingido já a sua maturação morfológica, será que está apto para competir com jogadores em média 6/7 anos mais velhos? E quando falo em competição, refiro-me tanto a disputar por uma oportunidade no plantel onde estão inseridos, como na pura disputa do jogo frente aos seus adversários. Será que o aumento da exigência está a ser gradual e progressiva? Todos pensaram à partida que poderá ser “um passo bem mais exigente que a perna!” Quais as opções disponíveis para os clubes? A opção mais usual é emprestar o jogador a um clube de menor dimensão, para que ele se adapte ao escalão sénior, no sentido de desenvolver as suas capacidades, voltando na época seguinte ao clube de origem. Será que essa adaptação torna-se eficiente? Será que esta opção não compromete a ligação do jogador ao clube de origem? Dos clubes grandes, quantos jovens são emprestados? E quantos voltam ao clube de origem?
Haverá outras opções?
Talvez a criação de um escalão intermédio de sub 23 fosse a melhor opção, mas será que é possível realizar uma inovação deste género, numa estrutura orgânica e regulamentar tão pesada como a Federação Portuguesa de Futebol?... Questões como custos! Arbitragem! Logística! … Iriam certamente ser colocadas como forma de demover ambiciosa proposta!
Tendo em conta que os clubes vivem preocupados com esta transição, entre os escalões de formação e os escalões profissionais, querendo ver o investimento feito na formação rentabilizado, optam por tomar responsabilidade neste processo. Vejamos: Armando Carneiro, responsável pela formação do S. L. Benfica refere que a “… equipa B é prioritária na transição para o futebol profissional. Estamos a pensar nesse projecto”. Godinho Lopes manifestou ao responsável máximo da Liga P. F. P., intenção de fazer regressar a equipa B ao Sporting. O presidente do Vitória de Guimarães, também apresentou como promessa eleitoral o aparecimento de uma equipa B no seu clube.
Realmente é de louvar o esforço dos clubes, em criar uma etapa facilitadora da integração dos seus jovens pupilos no futebol profissional. É certo que irão reivindicar junto dos órgãos competentes, que estas equipas tenham oportunidade de disputar uma liga profissional, neste caso a 2ª Liga, à semelhança do que acontece na vizinha Espanha.
Se a intenção é mesmo dar continuidade aos escalões de formação, como os responsáveis pelos clubes apregoam, não será uma oportunidade para os altos responsáveis do futebol, regulamentarem para que estas equipas terem obrigatoriamente, uma percentagem de jogadores inscritos nos boletins de jogo, inferior a 23 anos? Para que a nação ganhe com esta inovação, não seria importante regulamentar, para que uma percentagem de jogadores inscritos nos boletins de jogo, destas equipas sejam de nacionalidade portuguesa? Talvez seja uma medida regulamentar intermédia, para que mais tarde, todas as equipas sejam persuadidas a utilizar uma percentagem minimamente aceitável de jogadores portugueses!
Deixo-vos diferentes questões para reflexão, sobre um tema que muito nos tem de preocupar. Como diria Albert Einstein “O importante é não parar de questionar".
CURIOSIDADES:
- Dos 36 jogadores com idade sub 20, inscritos na Liga Orangina na época 2010/2011, apenas 20 tocaram no relvado pelo menos um minuto. Apenas 15 jogadores estiveram em campo, mais de 90 minutos em toda a época. Sabendo que a época tem cerca de 2700 minutos de jogo, não considerando os descontos dados pelo árbitro, apenas 6 jogadores realizaram o tempo de jogo correspondente a metade dos jogos da época, foram eles: Salvador (19 anos/Varzim/1983 minutos); Flávio (19 anos/Covilhã/1873 minutos); Renato Santos (19 anos/Moreirense/1364 minutos); Alex (19 anos/Santa Clara/1731 minutos); Yero (19 anos/Oliveirense/2074 minutos); Rafael (19 anos/Varzim/2223 minutos).
- Dos 59 jogadores com idade sub 20, inscritos na Liga Zon Sagres na época 2010/2011, apenas 18 tocaram no relvado pelo menos um minuto. Apenas 10 jogadores estiveram em campo, mais de 90 minutos em toda a época. Apenas 1 jogador realizou o tempo de jogo correspondente a metade dos jogos da época, foi ele o Nelson (19 anos/P. Ferreira/1404 minutos).
“Compreender as entrelinhas do discurso de alguém é o caminho para a conhecer!”
Artigo publicado no Jornal Tribuna Desportiva de 7.06.2011
sábado, 4 de junho de 2011
Férias… Teste à seriedade, compromisso, personalidade, profissionalismo…
Estão aí as férias, mas rapidamente estaremos a iniciar a próxima época desportiva e os cuidados a ter, para minimizar as perdas funcionais, provenientes da diminuição de regularidade de treino devem estar claramente presentes. A falta de cuidados alimentares e o excessivo sedentarismo levarão a que o retomar da actividade desportiva seja dificultada, sendo necessário mais tempo para recuperar as capacidades funcionais anteriormente adquiridas. As férias deverão ser encaradas como um teste às ambições desportivas da época precedente.O período de férias poderá ser fundamental para a recuperação total de lesões. Quem as tem, não deverá suspender tratamentos e fazer tudo para que no início do período pré competitivo, esteja nas suas máximas potencialidades, possibilitando que nessa altura o treino e os seus efeitos, apresentem o máximo rendimento no desportista.
A manutenção duma percentagem de massa gorda, dentro dos paramentos considerados normais, deve ser outra das preocupações. Pela diminuição do volume de treino, o gasto calórico diminui paralelamente. Nesse sentido, se mantivermos os mesmos hábitos alimentares, o corpo vai acumular em massa gorda, as calorias excessivas ingeridas. A readaptação nutricional, ajustando as calorias ingeridas à actividade desenvolvida torna-se fundamental. Uma estratégia a utilizar, será incluir no programa de férias actividades lúdico desportivas como o andar, o jogging, voleibol, ténis, futebol de praia, natação, etc., poderão ser óptimos complementos à readaptação nutricional.
WEINECK (1999), refere que o desportista ao interromper um programa de treino ou a prática regular de actividades físicas, provoca no organismo a perda das adaptações fisiológicas adquiridas durante o período de treino. Neste sentido, o desportista deverá incluir no seu período de férias, alguns exercícios aeróbios, bem como, de trabalho de força e flexibilidade.
CURIOSIDADES:
- McCarthy, que ao não cumprir a sua dieta em período de férias teve de pagar ao seu clube uma multa 60.000 euros.
- Em 2002, o técnico Ottmar Hitzfield solicitou que todos os jogadores fossem pesados antes das férias e os que voltassem na pré época com excesso de peso tiveriam que pagar uma multa. Além disso, os jogadores do Bayern entraram de férias com um programa específico de treino e com um aparelho para medir e gravar a frequência cardíaca durante os exercícios realizados neste periodo.
- No Grémio, o jogador paga uma multa de R$500 por cada quilo engordado nas férias.
REMATES:
- Sporting Clube da Covilhã consegue a manutenção na segunda liga. É extramente importante haver um clube do interior a participar nos campeonatos profissionais. O desporto da região merece-o. Veremos se também despoletam os jovens talentos do interior nestas competições.
- Na primeira divisão de futsal, A. D. Fundão segue a todo o gás! Já fizeram história e estão a um pequeno, mas difícil passo da final, desejamos que lá cheguem!
Artigo publicado no Jornal Tribuna Desportiva 30.05.2011 (Versão Online)
segunda-feira, 16 de maio de 2011
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