domingo, 4 de novembro de 2012

Eder, será ele o Avançado que Paulo Bento procura?


Depois de testar Nelson Oliveira, Paulo Bento testa agora Eder. Relativamente à aposta em Nelson Oliveira, considerei e considero precoce. Relembro que no artigo de 28.2.2012 referi que achava que o jogador, nessa altura do Benfica, teria algum défice de maturidade para representar a Seleção Nacional no Europeu de 2012. Quanto a mim foi uma aposta realizada cedo demais, em que os minutos de jogo proporcionados ao jogador, na grande competição europeia de seleções, veio demonstrar que não estava preparado para ser “atirado às feras”. Talvez se tivesse ficado pelos jogos de preparação fosse melhor opção!

Segue-se na lista de testes de Paulo Bento, o jogador do Sporting de Braga, Ederzito (Eder), quanto a mim, com uma nota bastante positiva por aquilo que tem feito tanto no Braga, como na pequena oportunidade que teve no último jogo da Seleção A. Aos 25 anos, após ter passado pela Adémia, Oliveira do Hospital, Tourizense e Académica de Coimbra, onde jogou quatro épocas, chegou à equipa bracarense na presente época e estreou-se em absoluto na seleção principal de Portugal. Segundo Paulo Bento “…é um jogador que tínhamos sob observação na Académica e, depois do interregno que teve, deixou de ter hipótese de chegar ao Euro 2012. Agora, no Braga, tem grande destaque, está na Champions e o Éder tem mantido assiduidade na equipa. É um jogador a ter em conta”.

Relembro que logo no início da época 2011-2012, Pedro Emanuel já reclamava a presença deste jogador na seleção “…é jovem, português, tem as condições de um bom ponta de lança e, se o selecionador assim o entender, acho que é o reconhecimento das capacidades de um atleta que tem trabalhado e se esforçado muito para jogar e ser titular”. É a minha opinião, que o selecionador nacional acertou em cheio no timing para lançar este jogador na equipa das quinas!

O jogador, revelou através das suas declarações, depois do jogo contra o Azerbaijão, uma forte humildade e gratidão, que espero que seja apanágio de toda a sua carreira “…estou muito grato por estar aqui, devo-o não só ao Braga mas também aos outros clubes por onde passei. Era importante chegar aos seis pontos nestes dois jogos e conseguimos. Agora, vou trabalhar no Braga para voltar cá”.

Dados do jogador: Data de Nascimento - 22.12.1987 (24 anos); Altura – 1,88m; Peso – 81Kg; Natural da Guiné-Bissau; Nacionalidade – Portugal; Neste momento tem contrato com o S.C. Braga até 2016, com uma cláusula de rescisão de 15 milhões de euros.

Caraterísticas como jogador:

- Forte no 1x1, o segundo golo do Sporting de Braga frente ao Manchester United foi exemplo disso mesmo;

- Boa capacidade de realizar eficazes desmarcações de apoio, conseguindo realizar na sequência destas movimentações bastantes passes de rotura, colocando os seus colegas de equipa em ótimas condições de finalização;

- Apresenta uma envergadura forte, que associada à sua mobilidade, causa muitos transtornos aos defensores que o têm como adversário;

- Pelas suas caraterísticas combativas poderá ser utilizado numa defesa pressionante, mas quando a sua equipa se encontra numa defesa média, procura essencialmente fechar espaços entre linhas;

- Utiliza bem as diferentes técnicas de finalização, tanto de cabeça como com os pés. Apresenta nestes momentos um bom sentido posicional, bem como um bom sentido de oportunidade. Veja os dois golos que o avançado marcou ao Marítimo este domingo.

- Simplifica o processo ofensivo com passes de apoio, seguidas de desmarcações de rotura.

- Apesar de jogar como avançado de referência na equipa do Braga (4x2x3xEder), aparece muito bem nas alas possibilitando o arrastamento de defesas para a entrada de outros jogadores no corredor central.

Em jeito de conclusão, refiro que Eder foi dos melhores marcadores enquanto jogador da Académica de Coimbra, tendo marcado ao FCP e ao Sporting durante a última época. Este ano já é dos melhores marcadores da liga portuguesa.

Diria mesmo, que tem a envergadura de Hugo Almeida, faz a bola circular como Hélder Postiga, a irreverência de Nelson Oliveira, e será o avançado que Paulo Bento procura!

FRASE DA SEMANA: “A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos.”Marcel Proust
Artigo Publicado no Jornal Tribuna Desportiva de 30.10.2012

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Futebol: esquemas táticos | lances de bola parada| fases estáticas|…


O esquema tático, é a fase do jogo onde a bola é reposta em jogo após uma interrupção, que se pode justificar por vários motivos: saída de bola de terreno de jogo, falta, início de uma das partes jogos, etc. São momentos importantíssimos pois, alguns deles podem se tornar decisivos na criação de uma oportunidade de golo. De acordo com o investigador na área do futebol Hughes C., (1990) “Sabendo que as equipas de sucesso são mais eficazes nos lances de bola parada, que estes decidem muitas vezes um encontro e que são eles o fator singular mais importante para a obtenção de golos, como é possível que de uma forma geral, as equipas não estejam bem preparadas, como deveriam estar, para atacar através desses lances?”.

Concordando com o especialista que citei anteriormente, realmente esta é uma oportunidade singular que deve ser trabalhada com algum cuidado, pois repare: 1. A bola está parada e a equipa tem algum tempo para preparar a sua ação nas diferentes situações de esquema tático, facilitando a realização de combinações pré definidas nas sessões de treino; 2. As regras de jogo, obrigam o adversário a estar a uma distância, o que possibilita a que se tire vantagem numa relação espácio-temporal; 3. Normalmente a equipa poderá aumentar o número de jogadores perto das áreas de finalização; 4. O fato de ser uma situação mais “fechada”, permite que as situações de treino, aumentem a sincronização e coordenação de movimentos.

Para que tenha uma ideia mais concreta da importância dos lances de bola parada, veja o seguinte: o investigador Hughes (1990), através de estudos realizados, verificou que “entre 1966 e 1986 decorreram seis finais do Campeonato do Mundo onde foram marcados 27 golos, 13 dos quais foram conseguidos através de lances de bola parada, e outros cinco marcados logo a seguir a essa situação”. Em 2002 Taylor e a sua equipa de investigação, verificou que no Campeonato do Mundo Japão/Coreia do Sul, dos 161 golos marcados, 79 foram concretizados através de lances de bola parada, ou seja, 49% dos golos alcançados. Se mesmo depois destes dados ainda não ficou convencido, veja nas entrevistas dadas pelos treinadores, quantas vezes estes lances são referidos! Esteja atento!

Tal como noutros momentos de jogo, a análise do adversário, leva a que se descortine a forma como este aborda defensivamente os lances de bola parada. Sabendo esse padrão de atuação, o treinador poderá preparar a sua equipa e os esquemas táticos a adotar, no sentido de aumentar a rentabilidade dos mesmos, explorando os pontos fracos do adversário e evitar os pontos fortes. Assim, a equipa deverá ter uma forte capacidade de adaptação, e uma variabilidade de esquemas táticos preparados, que permitam que se adapte às caraterísticas do adversário, sem que para isso tenha que perder a sua própria identidade. Ou seja, temos de ter sempre presente que “o mais importante é sempre a nossa equipa e não o adversário” (Mourinho in Oliveira et. Al 2006).

Fundamental, é que no meio da preparação deste tipo de lances, os jogadores tenham liberdade de atuar em função das alterações que o contexto vai sofrendo. A preparação não poderá ser tão rigorosa que as movimentações sejam obrigatórias, como se um esquema gímnico se tratasse. Respeitado a liberdade, a criatividade e a capacidade de decisão dos jogadores, a abordagem aos lances nas situações de treino, devem levar a que o jogador compreenda que as movimentações padronizadas sejam caminhos a seguir, e que o jogador tem a possibilidade de ajustar a sua ação em função das ações de todos os intervenientes. Isto deve acontecer desta forma, pois em nenhuma situação de treino se consegue prever e representar o que vai acontecer nas diferentes situações de jogo. Se essa previsão não se consegue fazer de forma rigorosa, então, as ações de jogadores e equipa não podem ser definidas de forma rigorosamente geométrica.

FRASE DA SEMANA: “No silêncio mortal, todos os detalhes de repente se encaixaram, numa explosão de intuição”. Eclipse
Artigo publicado no Jornal Tribuna Desportiva de 16.10.2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

domingo, 28 de outubro de 2012

O Fundamento das Academias de Futebol


As Academias de Futebol, hoje em dia, fazem parte das estruturas dos maiores clubes de futebol mundial. Todos os agentes desportivos compreendem que o investimento neste tipo de estrutura, poderá trazer ganhos significativos para um clube, evitando o gasto na contratação de jogadores e aumentando a possibilidade de um encaixe financeiro, através da venda de ativos formados no clube.

Mas como refere Pedro Mil-Homens, uma Academia de Futebol, “…é uma escola dentro do clube”. Se é uma escola, não poderá ser o futebol o único pilar de intervenção. Neste sentido, depreendemos que existe uma grande responsabilidade dos agentes que integram uma academia. O sonho dos jovens que ingressam numa academia será sempre chegar à equipa principal! Mas como é óbvio, será impossível que haja espaço para todos. Por esse motivo, o futuro daqueles que nunca chegarão ao plantel principal não poderá ser hipotecado. Lee Kershaw, diretor da academia do Manchester United refere que “…muitos do jovens que passam pela nossa escola nunca irão jogar no Manchester United. A grande parte deles não irá, de certeza. Não tenho números certos, mas provavelmente só 10 a 15 por cento dos nossos miúdos chegam ao plantel do Manchester. Por isso temos de os obrigar a seguirem os estudos, porque o mais importante é que tenham sucesso na vida.”

Para que haja um espírito de academia, com todas a vertentes formativas bem definidas e com uma coerente política de intervenção, o mais importante não será única e exclusivamente o espaço “físico” de trabalho. Como refere Pedro Luz, secretário técnico da formação do SCP, “a importância do espaço (Academia) em si é relativa, na minha opinião. O que eu penso é que o conjunto do espaço, das pessoas que cá estão dentro, da competência de cada uma delas, daquilo que é feito ao nível do recrutamento inicial, selecionando os melhores dos melhores, esse conjunto de fatores sim, torna importante este projeto, dá importância a este projeto.”

O que gostaria de reforçar com isto, é que a Infraestrutura academia tem a importância que tem! Fundamental é existir uma estruturação da formação, no sentido de proporcionar uma formação consolidada e direcionada, para os objetivos definidos para o futuro jogador profissional, ou simplesmente para o futuro cidadão que passou pela academia.

Ao nível desportivo, segundo Stratton (2004) “…o currículo padrão de uma academia poderá ter algumas variantes consoante os objetivos, valores, aspirações e finanças de cada clube.” A figura 1 apresenta um exemplo de currículo padrão de uma academia.

 
É fundamental compreendermos que a relação que existe entre todas as componentes do currículo interagem e complementam-se entre si, devendo ser vistas com um nível de dependência obrigatório, ou seja, como um TODO. Fácil também será perceber, que as competências desenvolvidas no currículo padrão de uma academia, poderão ser uma mais-valia, em contextos profissionais e sociais, que vão para além do mundo do desporto. Concluo assim referindo, que no desporto não se formam apenas desportistas!

NOTA: este artigo foi escrito, tendo como base um trabalho de monografia de Moita, M. (2008), intitulado: Um percurso de sucesso na formação de jogadores em Futebol. Estudo realizado no Sporting Clube de Portugal – Academia Sporting/Puma. Penso que este, poderá ser um documento orientador importante, para todos os agentes responsáveis pela organização de departamentos de formação dos clubes desportivos.

REMATE DA SEMANA: “Desporto e pedagogia, se os juntassem como irmãos, esse conjunto daria verdadeiros cidadãos! Assim, sem darem as mãos, o que um faz, o outro atrofia.” António Aleixo
 
Artigo publicado no Jornal Tribuna Desportiva de 9.10.2012

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O grande brinquedo que a Sociedade roubou à Criança… a Rua


Quantos de nós não nos lembramos do tempo que passava-mos na rua. De entre muitas brincadeiras que nos ajudaram a crescer e desenvolver as nossas capacidades, o futebol e o berlinde eram as atividades que mais agradava os moços, o elástico e a macaca, as moças.

Com a evolução dos hábitos e costumes as crianças começaram a ser empurradas para dentro de casa. O aumento da criminalidade, a ausência de espaços exteriores de lazer, o desenvolvimento dos brinquedos tecnológicos e a falta de tempo dos encarregados de educação, condicionam as brincadeiras em total liberdade espácio-temporal. Mas não só! Sobretudo o zelo exagerado que desencadeia um sentimento de protecionismo desmedido e o excesso de atividades ditas organizadas ou institucionalizadas, impedem que a criança tenha tempo para se exprimir em total liberdade. Como refere o investigador Alberto Nídio Silva, hoje há “… uma espécie de regresso às cavernas, as crianças fecham-se num refúgio de luxo conectado com o mundo - o virtual em vez do real, o site em vez do sítio. É certo que elas continuam num mundo lúdico de encanto, mas fazem-no sem irmãos, nem vizinhos, nem amigos informais”, explica o especialista em sociologia infantil.

Outrora, a rua era um local privilegiado de aprendizagem. Neste espaço a criança podia brincar livremente, sem qualquer tipo de supervisão. Brincar a “céu aberto”, promovia o desenvolvimento do saber estar em liberdade, da autonomia, da criatividade, da capacidade de adaptação ao inesperado, da responsabilidade de estar por sua conta, da capacidade de partilha, do desenvolvimento da capacidade relacional, um gasto energético que reduzia o aparecimento da obesidade infantil, etc. Segundo o investigador Carlos Neto, hoje, “o único sitio que resta para brincar em liberdade é o recreio da escola”. Desculpem-me a expressão, mesmo assim o recreio da escola não o considero total liberdade, mas sim “liberdade condicional”.

Sinto saudades de sentir o barulho do espírito infantil, desencadeado pelo último toque da campainha, no final do dia de escola. Jogos como as escondidas, saltar à corda, saltar ao elástico, jogar à bola, jogar ao berlinde… Tudo tende a acabar! E muito se perderá com isso.

Muitos estudos estão a surgir no sentido de contrariar a tendência de empurrar as crianças para as brincadeiras estáticas e individuais. Nas cidades mais evoluídas, estão a ser formadas equipas multidisciplinares, para que sejam tomadas medidas de promoção da brincadeira pelo jogo livre. Segundo Carlos Neto, a“…transformação dos espaços urbanos têm vindo a colocar o problema da conceção e implementação de áreas especiais no ambiente construído, ambientes projetados nos quais a criança tenha ocasião de explorar, crescer, adaptar-se e construir-se pessoal e socialmente através do jogo. Um espaço de jogo é mais que um espaço físico.” Esperamos que pegue moda e que chegue a todo lado! As crianças precisam de brincar livremente para crescer. Felizmente cá no interior, as crianças ainda podem disfrutar de espaços que permitem brincadeiras ao ar livre, de forma segura e equilibrada!

 Uma boa semana! Se tiver filhos, pense, de que forma lhe pode proporcionar espaços e tempos de brincadeira apropriados! Aproveite e divirta-se com ele! Existem tantas alternativas! Faça-o por ele e também por si…

 FRASE DA SEMANA "Não se deve interromper a concentração de uma criança que está a brincar"  (Nylse Cunha)

 Artigo publicado no Jornal Tribuna Desportiva de 2.10.2012

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sá Pinto poderá ter sido um treinador prematuro!

Todos nós sabemos que Ricardo Sá Pinto foi dos jogadores mais queridos pela massa associativa do Sporting Clube de Portugal, tanto pela sua dedicação ao clube, como pela sua postura dentro de campo, que lhe atribuiu o apelido de “Ricardo Coração de Leão”.

Como jogador, a sua carreira profissional iniciou-se no Sport Comércio e Salgueiros, tendo sido transferido para o Sporting em 1994. Passou depois pelo Real Sociedade (de 1997 a 1999), tendo posteriormente voltado ao Sporting. Sá Pinto teve também a oportunidade de representar a Seleção Nacional.

Para que veja a relação próxima de Ricardo Sá Pinto com a massa associativa, quando mais tarde se transferiu para o Standard de Liége, utilizou a camisola 76, em homenagem à claque leonina, que foi fundada em 1976. Em sinal de reciprocidade a Juventude Leonina também ostenta em todos os jogos uma tarja em honra do "Grande Capitão”.

Depois de ter passado pela função de diretor desportivo (2009/2010) que abandona devido ao mediático caso com Liedson, onde se envolveu em agressões física e verbais, decidiu enveredar pela carreira de treinador, iniciando-se  como adjunto do União de Leiria. Passado um ano, a convite da nova direção do Sporting, assume-se como treinador da equipa de juniores. A 13 de fevereiro de 2012, após despedimento de Domingos Paciência, torna-se treinador da equipa profissional do seu clube do coração.

Assim sendo, a carreira de Ricardo Sá Pinto ainda nem sequer completou 3 anos. Torna-se treinador de um grande, sem nunca ter assumido a liderança de um outro clube de menor dimensão, o que é no mínimo estranho! A que isto se deve? Não se sabe bem, mas que se torna prematuro, sem dúvida que sim!

Se comparar-mos com as carreiras dos seus adversários, constatamos o seguinte:

- Vítor Pereira – Como treinador de formação: iniciados do Padroense e F.C. Porto; Como treinador adjunto: Gondomar, Arrifanense, Esmoriz e F.C. Porto. Como treinador principal: Sanjoanense, Sporting de Espinho, Santa Clara e Por fim F.C. Porto. Conclusão mais de 10 anos até chegar a técnico principal de um grande português.

- Jorge Jesus – Apenas como treinador principal: Amora, Felgueiras, Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, Guimarães, Moreirense, União de Leiria, Belenenses, Braga e finalmente o Benfica. Conclusão, iniciou a sua carreira de treinador em 1989 e chegou ao S.L. Benfica em 2009. 20 anos até chegar a técnico de um grande português.

José Mourinho em determinada altura, quando fez uma análise justificativa da sua carreira de sucesso explicou: “as etapas sucederam-se de forma sustentada e progressiva, nada foi abrupto.” Relembro que o melhor do mundo, apresenta uma fase preparatória muito importante, nomeadamente como adjunto de grandes treinadores como Van Gaal e Bobby Robson. Esteve também como técnico principal de clubes de menor dimensão, até chegar ao F. C. Porto, onde o sucesso obtido abriu-lhe as portas para uma carreira de sucesso pelas grandes ligas europeias. Melhor exemplo de carreira progressiva e sustentada não pode haver.

Só me almeja especular questionando, será que o n.º 76 de Juventude Leonina teve alguma culpa no cartório?

Tendo em conta os exemplos mencionados, e a noção que é necessário tempo para amadurecer, a forma como Ricardo Sá Pinto chegou a técnico principal do Sporting, merece uma análise em duas perspetivas: 1 - Uma clara coragem e vontade de ajudar o seu clube do coração, apanhando aquele comboio que só passa uma vez, como se costuma dizer na gíria do futebol! 2- Alguma irresponsabilidade de quem decide, atirando um técnico que ainda não possui uma carreira consolidada, diretamente para o meio dos leões! Bem ou mal, o tempo e os resultados nos irão dizer. Vamos ver quanto tempo vai aguentar a corda bamba!

 REMATE DA SEMANA: "As carreiras, são como os foguetões. Nem sempre são lançadas conforme o programado. O segredo é continuar a trabalhar nos motores." (Gary Sinise)

Artigo publicado no Jornal Tribuna Desportiva de 25.09.2012

A Incoerência dos Castigos! Luisão, Hulk e afins!

No dia 14 do presente mês, em comunicado no site da Federação Portuguesa de Futebol, tivemos a oportunidade de ler mais uma deliberação da Secção não profissional do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol. Este órgão considerou “…procedente a acusação deduzida contra o jogador arguido, Anderson Luís da Silva e, em consequência, aplicou-lhe a sanção de suspensão por dois meses e, acessoriamente, a sanção de multa de 25 UC (2.550,00 €), pela prática da infração prevista e punida pelo artigo 145º, nº 1, alínea b), do Regulamento Disciplinar das Competições Organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional.”

Vejamos então o conteúdo do artigo 145º, n.1, alínea b):

“Agressões
1. São punidas nos termos das alíneas seguintes as agressões praticadas pelos jogadores contra os membros dos órgãos da estrutura desportiva, elementos da equipa de arbitragem, observadores, delegados da Liga, dirigentes ou delegados ao jogo de outros clubes, agentes de segurança pública, e treinadores:
a. No caso de agressão que determine lesão de especial gravidade, com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de três meses e o máximo de três anos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 50 UC e o máximo de 250 UC;
b. Noutros casos de agressão, com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de dois meses e o máximo de dois anos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 25 UC e o máximo de 125 UC.”

Além disto o órgão da Federação de Portuguesa de Futebol informou: “Tal como expressamente solicitado pela FIFA, esta decisão vai ser remetida para o organismo que tutela o Futebol Mundial.”

Preferência clubística à parte, pois considero que esse tipo de manifestações é desajustado a espaço de opinião, causa-me alguma admiração, a forma como se tomam decisões nestes órgãos de tão nobre poderio institucional!

Descrição de alguns casos na Liga Portuguesa:

- Luizão, agressão a um elemento da equipa de arbitragem: 2 meses de suspensão, 2.550 euros de multa;

- Hulk, agressão a um elemento de segurança privada: o Conselho Disciplinar da Liga atribuiu 4 meses de castigo. Depois de ter falhado 14 jogos, o Conselho de Justiça da Federação decidiu reduzir os castigos para três jogos e uma multa associada de 2500 euros. Analisando as implicações destas duas decisões, verificou-se que o avançado, na altura do F.C. Porto, ficou inibido de competir injustamente em oito encontros da Liga Portuguesa, dois da Taça de Portugal e quatro da Taça da Liga.

- Sapunarú, o Conselho Disciplinar da Liga atribuiu 6 meses de castigo. Depois de ter falhado 14 jogos, o Conselho de Justiça da Federação decidiu reduzir os castigos para quatro jogos e uma multa associada de 4500 euros. Mais um jogador que ficou injustamente sem competir, uma quantidade significativa de jogos!

Será que estes órgãos de decisão, beneficiam a modalidade quando tomam decisões de extremo a extremo? De 4 meses de suspensão para três jogos, ou de 6 meses para quatro jogos? Não será uma discrepância grande demais? Alguém errou na atribuição do castigo? Que penalização teve? Não serão factos que alimentam polémicas desnecessárias?

E toda esta estranheza vai continuar a pairar dentro dos adeptos da modalidade! Cada caso é um caso, mas permitam-me a comparação por exemplo do caso do Hulk (castigo inicial - 4 meses), com o caso do Luisão (castigo inicial - 2 meses):

Análise da agressão em relação à vítima: Será que uma agressão a um membro da segurança privada (ou assistente de estádio) é mais grave que uma agressão a um elemento da equipa de arbitragem? Para mim, qualquer tipo de agressão a um ser humano é grave! Portanto, no mínimo o castigo deveria ser igual! Caso contrário, fica subentendida uma desvalorização do papel da equipa de arbitragem no jogo, pois desvalorizou-se o castigo relativo à agressão a um árbitro.

Análise da agressão em relação fonte de informação: As imagens de uma câmara de vigilância são mais fidedignas, que as nítidas imagens de um órgão de comunicação social? No mínimo a mesma importância! Digo eu!

E todos estes casos, do … agora decide Secção não profissional do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, mais tarde decide o Conselho Disciplinar da Liga, depois vem o Conselho de Justiça da Federação e diz que não é assim, mais tarde, vem a FIFA e mexe o tacho já remexido! Tanto tacho e tanta panela que me obriga a citar o ditado, “Panelas que muito se mexe, ou sai ensosso ou sai salgado!”

Sinto que esta falta de clareza nos processos, só prejudica o interesse sobre a modalidade, aumentando em simultâneo a descrença quanto à verdade desportiva. Percebo que são os procedimentos normais, mas tanta incoerência e discrepância decisional, causa, no mínimo estranheza!

REMATE DA SEMANA: “Se não conhecemos os nossos pontos fracos, as nossas falhas e a nossa incoerência, não poderemos alcançar a dignidade.”Danilo Gandin

Artigo publicado no Jornal Tribuna Desportiva de 18.09.2012